Quarta-feira, 12 de Maio de 2004

Deserto

Deserto.jpg


 "quero tanto estar por perto
que a mim pouco importa
se o que mata minha sede
é o deserto
." (Marcos Caiado)


Quero tanto estar por perto
que a mim pouco importa
se o que mata minha sede
é o deserto.


Se é salgado...
não importa se a verdade desterra
se inverte
ou estreita


No meio ambiente
a saudade...


quero tanto estar por perto
que a mim pouco importa
se o que mata minha sede
é o deserto.


de pele
meio ao infinito de bytes
não, não importa


se a alternativa ajusta
ou frustra
nem se deambulo
meio tavernas e fumaça


quero tanto estar por perto
que a mim pouco importa
se o que mata minha sede
é o deserto.


do quase nada
armazenado na memória
ou se é tempo perdido.


Andréa Motta
11/05/04
às 10:58


.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.



para estar contigo,
privo-me da luz do dia
abandono o melhor abrigo
- isso não me angustia! -



para estar contigo,
assino contrato, aceito
fazer papel
de mero amigo do peito


remeto às favas,
as claras e puras águas
do ganges que alimentara
nosso grande amor-perfeito


ao zero,
o bolero mais terno
- e a medida desmedida
do eterno -


a zero,
o eco, o cerne e o abdome
desta minha carne
que tanto deseja


sem mágoas,
serei apenas um nome.
conversa fiada,
afiando
afeto que não beija!


( nunca mais,
a língua nua
no céu da tua
tatuagem


nunca mais,
a linguagem
da tua nuca
em minha cara-metade)


quero tanto estar por perto
que a mim pouco importa
se o que mata minha sede
é o deserto.


Marcos Caiado


Nota: Para conhecer mais obras deste magnífico poeta acesse o Cinzazul

publicado por Andrea Motta às 03:07
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Terça-feira, 11 de Maio de 2004

Irisação

ruinas-igreja-sao-francisco.jpg


Mais um final de tarde, na terra dos pinheirais,
O mesmo céu de azul penetrante,
mesclado pelo vermelho e,
pelo efeito do profundo amarelo do sol.
Espetáculo natural modificado a cada dia
deste inverno quente.

Descanso, meu corpo fatigado
pelo caminhar desmedido.
Aos pés das Ruínas da Igreja construída
em preito a São Francisco de Paula.
Cenário envolto por mistérios e lendas,
no seio do cimento da metrópole.

Ruínas onde floresce a vida e a paz
semeada pelo trinar de Bem-te-vis.

Meus olhos sorriem,
reflexo manso de minhas verdades
em dourado cintilante,
apontando para o amanhã desejado.

Palomas em vôos rasantes,
misturam-se ao riso alegre de crianças
a correr sem parar.

Enfeitiçada, trago a visão do irisar
do sol na fonte plantada em meio da praça
e, respiro o ar mais puro.
Purifico a alma,
para merecer
a paz da tua presença em mim.


Andréa Motta
01/07/03

publicado por Andrea Motta às 02:02
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Segunda-feira, 10 de Maio de 2004

Pirâmide

tortura.jpg


Flashs de corpos
   empilhados
         em nuas imagens : barbárie




Andréa Motta
09.05.04


 

publicado por Andrea Motta às 03:45
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Domingo, 9 de Maio de 2004

Loucura

gipsy.jpg


Na soleira da janela,
              cantam cotovias
nos esquadros do tempo,
              alfazemas exalam
uma doce fragância e desabrocham
              sonhos impossíveis,
        junto ao portão rabiscado no papel.

Uma camerata de flautas em sua melodia
                                     exalta
a pérola púrpura cultivada
                        neste mar que me afoga.

Por impulso escondo minha insensatez,
                          sequer me reconheço,
                          só pode ser loucura...
                                            perene.          

Agarrada às palavras,
         ao emergir suspiro
                       viro a página.

Peço,
   chego ao grito
Arranca-me da berma desta estrada,
   Dá-me prumo
      para enxergar a perfeição de um pássaro
                         ou a pureza de uma rosa.

Sou cigana
              Livre,
                        sem parada
        mesmo errando,
                             sigo meu caminho...

Não posso estagnar
               feito serenata inacabada.


Andréa Motta
10/08/03

publicado por Andrea Motta às 04:47
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Frágil Flor

flor_014.jpg


Bom dia, frágil flor!
Daqui é aquela falésia quem te fala
Aquela perigosa e atraente paragem,
Aquela temível vertigem... mas sedutora paisagem?
Sinto-te nas minhas fendas enraizada.


Há tanto neste nosso binário complexo
Nesta rocha-flor, nesta flor de rocha,
Neste tormentoso... mas frutuoso amplexo?


Dás-me delicadeza e amor, dou-te cortantes cristais.
Exposta às rajadas, gelos e degelos,
Resistes aos desprendimentos, à minha erosão,
Mas é desta falésia amarga que saem os misteriosos sais
Nutrindo esta antiga e endémica união.


Pétala a pétala, folha após folha,
Lágrimas em húmus vertido,
Fertiliza, em correntes de ciclos de vida
Este que, sem ti, é estéril miradouro
Mas, semeado de ti, é falésia florida.


Obrigado frágil flor!
Só as tuas raízes, pétalas, folhas e pólens
Dão sentido aos meus desmoronamentos,
Nada mais que alucinados pensamentos,
Pequenas mortes onde tenho vivido:


São bateres de asas tão esgotantes e estranhos
Na tentativa de sorver múltiplas vidas,
Vidas tão cinzentas e frias, abismos de que não sei os tamanhos:
Obrigado minha flor.


Phalésia


Nota: Mais um belissimo poema de Phalésia, para nosso deleite.

publicado por Andrea Motta às 04:39
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Sábado, 8 de Maio de 2004

Um poetrix e seu Clonix

ocaso1.JPG



  • imagem de Juani Cegas Pulido

Lunar (Poetrix)


Espelhando
luzes
lua se dissolve
na noite.

 

Como
um Sonrisal.


Ricardo Mainieri

 


Lunar (Clonix)


Efervescente
raios
lunares se dissipam
no ocaso.

 

Como
um Alka-Seltzer.


Andréa Motta

 

publicado por Andrea Motta às 12:02
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Sexta-feira, 7 de Maio de 2004

Palavras ao Acaso

horasfumando1.JPG


Entre uma tragada e outra
     consumo o tédio
         comprimindo no palato o passado
              esmigalhado pelo tempo


                    Na face oculta do presente
                         Sopro silencioso
                             olhar circunspecto
                               
    mescla de fumaça
         e inquietude insana
                    na captura dos sentidos
                              pelos dedos transpirados


                          Espantando o fastio
                                   - que me consome -
                                        embarco na nau do verbo


      e aguardo na linha divisória
                  do tempo
                       o momento em que o cotidiano
                                                 não mais detenha o sonho...



Andréa Motta
06/05/04


Nota: Título inspirado no nickname do LetrasAoAcaso

publicado por Andrea Motta às 04:30
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Quinta-feira, 6 de Maio de 2004

Um sentir em 3 visões

paineira3.jpg


Ganância


Chora a magistral paineira,
           suas folhas digitadas
em desespero agitam-se nos galhos,
as flores róseas espalham-se pelo céu,
           em gritos de dor.


Homens em manobras desenfreadas,
            em prol do progresso
cravaram-lhe no tronco
            o maldito machado.


Num último suspiro,a paina,
 como floco de algodão
                                  flutua
e chega ao solo tingida de vermelho,
            despida de leveza.


Crianças dantes admiradas com a suavidade do vôo,
             no momento do pendor
espelhavam na face pavor.


Atônitas indagavam ao pé do vento,
porquê os homens
                       mataram
a frondosa paineira?


Confusas interrogavam-se
                         porquê...
tolheram a vida
destruíram os ninhos
            onde pássaros outrora
brindaram
            aqueles mesmos homens
com seus doces cantos?


Não podem compreender,
tampouco, eu o posso...
Até onde a ganância....
           leva os homens.

Andréa Motta
11/08/03


 




A Morte da Paineira
 
Enquanto chora a paineira
Periquitos assistem sem gritos
Tombar ao chão tão faceira
A paineira em lamentos aflitos;


Periquitos assistem sem gritos
Em golpes batendo ao tronco
A paineira em lamentos aflitos
Nas pancadas de machados broncos;


Em golpes batendo ao tronco
Arremessam as folhas e os flocos
Nas pancadas de machados broncos
Desprendendo caindo em blocos;


Arremessam as folhas e os flocos
Ao chão vão se misturando
Desprendendo caindo em blocos
Enquanto as aves esvoaçando;


Ao chão vão se misturando
Como se estivessem fugindo
Enquanto as aves esvoaçando
Não mais se iludindo;


Como se estivessem fugindo
Finda manhã, alva que apavora
Não mais se iludindo
Enquanto chora a paineira.


Marcelo


requiem arborescente



A noite calma segue contrária ao dia conturbado
Estava escrito, a floresta seria consumida
As labaredas haveriam de arrancar a seiva dos anos
O vento cumpriria o carrasco dos cascos antigos


A floresta ardeu com gritos de fumo espesso
Cantou o seu próprio requiem no crepitar da madeira
Morreu lá, longe, a norte de nada
Expirou sem expressão que mostrasse ressentimento
Ou sequer a vontade de existir


E os lancinantes sons desta orgia luminosa
Invadiram o mundo
Pintaram o céu de um azul fosco e tornaram o sol macilento
Quem foram os assassinos?


O sonho teria que acabar, o profeta assim o disse
Recortes de verde solarengos sobre bases castanhas
Anos e anos a almejar ver mais além
Para lá, por sobre a torta linha do horizonte
Braços auto decepados, abandonados, gangrenados
Raízes demasiado profundas numa terra que prendia
A liberdade, o desejo de voar


O fogo carboniza a paixão e traz a treva


A árvore
A árvore nasceu, despontou, cresceu, ganhou e perdeu
Ramos folhas beijos do vento estações
Ebriedades de chuva e o calor terno da terra
Vergou amadureceu e conheceu todas as crianças dos homens
Nomeou os montes e o bichos
Contemplou a paz do que não se vê com olhos
Amou o amor e fecundou trezentas outras árvores sem o saber
Tossiu na poluição do progresso
E viu o ciclo do tempo a rodar inquieto à sua volta


A árvore
A árvore viu um bípede com uma pasta debaixo do braço
Regar de petróleo dourado a sua perna
E acender um isqueiro
E ter prazer
Quando o fogo invocado a violou


A árvore
A árvore não verteu uma lágrima
Apenas teve um arrepio, um estremunhar de folhas drogadas
Despediu-se do seu amante inocente e assassino
Era dia e cantou o céu de cinzentos esfumeados


O tempo continuou os seus círculos infernais
O dia moldou-se em contexto reflexivo
Espelharam-se tristezas sem causa nas caras das pessoas
A natureza quedou-se inexpressiva e fez lentamente vir a noite
Calma
Sem vento


Sentado constato a terra podre que nos agarra
Louco cuspo a vergonha da raça na minha cara
Mas da boca só sai a seiva da árvore
A seiva da árvore
A seiva da árvore
O sémen da árvore
A ilusão humana


Nos olhos fechados pela floresta da treva
Ecoa angustiante e sagrado
Da árvore o canto apaixonado


Sofre-se e pressente-se que se sofreria mais se não se sofresse


Pedro Moura


publicado por Andrea Motta às 13:28
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Quarta-feira, 5 de Maio de 2004

...

s


 


o


 


c


 


o


 


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r


 


o


 


só corro e


 


         s


 


         c


 


         o


 


         r


 


         r


 


         ocorro


 


              c


 


              o e só


 


De Victor AZ , in Concretismo

publicado por Andrea Motta às 00:34
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Terça-feira, 4 de Maio de 2004

Máquina

maquina1.JPG


Quero ser máquina
e minhas engrenages movidas
a sangue-óleo.

   Para não sentir
      cheiro de estação
   não enxergar
      flores no jardim
   não eternizar
      carícias impotentes

Quero ser máquina
   impávida 

   Para não ver
      o firmamento
   não ter os olhos
      mareados
   não imaginar
      horizontes

Quero ser máquina
   letal
      sem herança
      nem herdeiros

Quero ser
   só engrenagens e parafusos
      inodor


Andréa Motta
19/08/03

publicado por Andrea Motta às 03:36
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