Sexta-feira, 21 de Maio de 2004

Liberdade

letargica.jpg


 Alma
   Alma
que te quero branca
      que te quero pura
sem tormentos
         livre de angústias


Alma
   Alma
que te quero sem afogamentos
      que te quero primavera
sem deslocamentos
         livre de todas as angústias


Alma
   Minha alma
que te quero aconchegada
que te quero verão
livre de tempestades
      livre...
         livre...


Alma
   Minha alma
que te quero plantação
que te quero confluência
absolvida de quimeras construções
      livre...
         livre...


Alma
   Alma
que te quero jardim
que te quero terra adubada
jardineira ilimitada na lida doação


Alma
   Alma
que te quero todas as estações
que te quero sem conflitos
que te quero terra úmida
sem cascatas de lágrimas vertidas


Alma
   Minha alma
que te quero idealista
que te quero seresteira
      refletida  e serena
          povoada pela emoção


Alma
   Alma
      que te quero cantarolando
          que te quero paz de espírito
              que te quero livre
                  livre...



Andréa Motta
25/09/03

publicado por Andrea Motta às 00:00
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Quinta-feira, 20 de Maio de 2004

Maio Sangrento

memorial-ucraniano-curitiba.jpg



Azul...muito azul amanheceu o dia,
recortes verdes em copa
das imponentes araucárias pintam
o céu outonal de temperatura baixa,
uma melódica sinfonia de sabiás e bem-te-vis
atravessa o vento brando de cortar a alma..


Inicia-se assim mais uma semana
deste maio sangrento
marcado por conspirações,
salários de fome, decapitações,
franco-atiradores,  explosões:
Selvageria... breu! Indignação.


Em meio à escuridão
    pelo menos a natureza faz a sua parte...
         mostrando aos homens que nem tudo é pó.


Andréa Motta
17/05/04


Nota: Este texto foi escrito e é dedicado para meu grande e especial amigo Ricardo Mainieri . Poeta de impar sensibilidade que merece ter seu trabalho divulgado e conhecido. Não deixem de visitá-lo no site linkado.

publicado por Andrea Motta às 04:55
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Quarta-feira, 19 de Maio de 2004

Se te amasse eternamente

atardecer-casal1.JPG


Dentro de mim, em tudo o que eu sou
Vives assim, onde o tempo te guardou
E o silêncio que criei, fez esta dor que ocultei
Perder-se num beijo que te dei
Agora tento esquecer
Quase tudo o que eu sei…


Juntaste o céu e o mar
No teu olhar imenso
Criaste o verbo amar
Num respirar intenso
Como se uma noite
Ficasse para sempre
Se te amasse eternamente…


Por vezes menti, por vezes chorei
Porque a mentira descobri, e também magoei…
Para vir a entender, o caminho a percorrer
E nem que fosse só para te ver
Eu queria muito mais
Do que virás a saber…


Lara S.


 Nota: Lara , é para mim sinônimo de sensibilidade, beleza e doçura. É das pessoas que conheci neste emaranhado eletrônico  a mais meiga, não há distâncias para ela. Do Lado de cá do Atlântico, estarei torcendo para que tenha sucesso no Festival da Lagoa no próximo dia 05 de Junho, bem como, em todos os momentos de sua vida. Ainda quero ouvir suas composições brilhando tanto quanto esta estrela  de amor que carrega no peito. Não deixem de visitar seu blog Musica e Letra  para ouvir e ler as maravilhas que esta garota faz com as palavras e os sons.

publicado por Andrea Motta às 03:08
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Terça-feira, 18 de Maio de 2004

...

ripamontegaucho.jpg
publicado por Andrea Motta às 04:02
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Lágrimas Ocultas

ripamontegaucho.jpg



  • imagem: O Gaúcho de Carlos Pablo

Hoje, o rumor antes insistente...


a boca do vento fez-se brisa


e murmurou-me a certeza da tua partida.


 


Correm em minha face lágrimas ocultas


em meus lábios, esboço um sorriso


ao relembrar a irreverência das tuas letras.


 


Eras mesmo um danado de um Gaúcho,


daqueles que jamais fogem de uma boa


pelea.


 


Por vezes, é verdade...


amigo do lenço vermelho,


excedias-te na ousadia


mais que ave rapina.


 


Foste, sem dúvida,


constante desafio a qualquer adversário


e, sem acanhamentos ao desafeto


transformavas uma pequena sanga


em um mar de tormento.


 


Ainda assim, meu amigo,


Reverencio-te!


Foste em vida, Maragato,


o retrato da alegria brejeira,


mesmo quando a dor te consumia.


 


Buenas,


Caro ilusionista das palavras,


sobre tua lápide deixo as flores


da minha alma e orações.


 


Para que neste teu novo caminho,


que imagino verde...


plano como os Pampas


que tanto amavas,


encontres um recanto


para dependurar teu lenço vermelho


e finalmente descansar em paz.


 


Por desiderato,


Idealizo-te sereno,


cavalgando nestas planícies de paz.


 


Por isso apenas te sussurro


até breve...tchê!


 


 


Andréa Motta


     25/06/03

publicado por Andrea Motta às 03:55
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Segunda-feira, 17 de Maio de 2004

Rouxinol Selvagem

paisagens18_1.JPG


Sibila rouxinol
   sibila
      voa
ao topo da mais frondosa árvore e...
         canta
Canta tão forte quanto seus pulmões puderem aguentar
e depois
               voa...
voa com serenidade
                  em busca do horizonte



Andréa Motta
maio/2003

publicado por Andrea Motta às 02:05
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Sábado, 15 de Maio de 2004

Alma Mater

mae2.jpg


Eis-me, frente a novo desafio. Não me sinto capaz de ultrapassá-lo, mas não deixarei de tentar. Agradam-me os desafios. Estimula-me o ego a tentativa de ultrapassagem dos meus próprios limites. E tu sabe-lo, como também sabes o quanto este assunto tem mexido com os meus sentidos. Dá inclusive para invocar Camões - preciso rir antes – no seu famoso “amor é fogo que arde sem se ver / é a dor que desatina sem doer”. Todavia, neste caso, além de doer e arder, queima. E bem!


 


Que pretendes com isto, sacudir os meus brios? Ou… quem sabe tentar arrancar-me deste marasmo que infesta minhas entranhas? Seja lá o que for, aceitei o desafio. Agora é que são elas, sempre quero ver por onde começo a destrinchar este emaranhado de sentimentos. Não tenho idéia...


 


Talvez deva ir apenas tingindo o papel com as cores que de mim escorrem. Mas, pergunto-me se estou preparada para ler o que vai nascer daqui? Ler… – rio uma vez mais - na verdade não tenho certeza se estou preparada para deixar em branco este vácuo que habita entre eu e eu mesma!


 


Antes, porém, peço-te: vem comigo ao fundo deste poço de enxofre, talvez precise de guelras para respirar no final. Não que eu pretenda o teu oxigênio; sabes bem que não se trata disso. Apenas não me apetece viajar só neste momento.


 


Dogmas, são tantos… Os conceitos... E vamos deixando que o mundo nos leve. Assim mesmo. Os conceitos são incutidos à força ou sub-repticiamente; mas lá que entram pela pele adentro, ah isso… E ainda vêm com estórias, a afirmar que o mundo não gira em torno do nosso umbigo, quando não querem eles outra coisa.


 


Primeiro, somos abençoadas com a dádiva da maternidade, poético estado que inspira meiguice, não é mesmo? Pois sim! Muita, muita meiguice. Ainda mal balbuciamos as primeiras sílabas e zás; já estamos a ouvir “que gracinha hummm dará uma bela moça e que lindos serão os seus filhos!..”. Crescemos a ouvir isto, quando não de dentro da família, através de todos os demais aparelhos ideológicos de formação do correto caracter e personalidade.


 


E, por mais livres de pressões que achemos viver, não é possível negar que acabamos sempre nos deixando correr como um rio manso. Ou seja, navegamos como os outros já navegaram, isto é indiscutível. É um circulo vicioso, interminável. Parece a oroboro que eternamente gira com a boca enfiada na cauda.


 


Acredito que na verdade tudo, todos, são produtos do mesmo molde: Vera nasceu para ser mãe; Paula também; Josefa...todas! E antes delas as suas mães, avós, etc, etc. Todas felizes parideiras, a alimentar o mundo de mãos para trabalhar e vaginas para dar mais mãos para trabalhar.


Eu, como não poderia deixar de ser, com toda a independência e liberdade que julgava ter, não deixei de subir a mesma vereda. Talvez seja melhor, a bem da clareza, esclarecer que não nego a beleza e a doçura da maternidade: sou mãe e amo o meu filho.


 


Porém, será ser mãe a estonteante maravilha que é apregoada e evangelizada pela sociedade? Ser mãe será mesmo um doce padecimento num paraíso? O gozo que estas coisas me dão…


 


Antes de ser mãe, sou uma pessoa. E enquanto tal tenho desejos, preciso de ar. E há momentos em que estes desejos fazem um imenso estardalhaço. Indago-me até onde será justo para comigo mesma esta repressão?


 


Ora, não me venhas dizer que não é repressão, porque é! É papo furado esta conversa de lá porque sou mãe - eu ou qualquer outra - tenho de me recusar a mim mesma. Sou egoísta, sim! É natural do ser humano ser. E não vem daí mal nenhum ao mundo.


 


Fujo ao tema? Talvez tenha razão, talvez não. De qualquer sorte não é fácil jogar para fora este amontoado de contradições, acredita-me.


 


As palavras vão escapando aos turbilhões, como uma vaga selvagem batendo forte numa rocha. Sou a vaga e a rocha. Daí a dificuldade: ao mesmo tempo em que bato  recuo, permaneço estática. E é este estar estática que me incomoda, que provavelmente incomoda também muitas outras pessoas.


 


Amo meu filho. E, ao mesmo tempo, odeio ser mãe em alguns momentos. Contraditório, dirão alguns. Todavia, nem tanto.


 


Sei que me percebes, sinto-o.


 


Nunca aprendi a ser mãe. Muitos dirão não se aprende a ser mãe. Ora, respondo eu: aprende-se sim. Algumas são educadas para isso, outras não. Eu não fui! Mas sonhei em ser como qualquer mocinha, não obstante não fosse já nenhuma garota quando dei à luz.


 


E porque sonhei? Só consigo encontrar uma resposta: porque tudo a minha volta - não só à minha,  obviamente - é preparado para tal, mesmo que inconscientemente.


 


Pois bem, sou mãe. Terei por isso de abdicar de mim mesma? Não, não e não! Isto consome-me, retira-me o ar. Mas abdico…


 


Odeio isto! Compreendes porque digo que é odioso ser mãe em determinados momentos? Também, se não entenderes não fará qualquer diferença...


 


Sou mãe. Que bonitinho. Limpar merda de criança! Arghhhh! Causa-me asco, quase vomito. Ah, sou mãe.. Abro mão de meus sonhos, abro mão de mim mesma e vou vivendo envolta por dúzias e dúzias de fraldas, passando noites e mais noites acordada, esquecida de mim!


 


Grande piada… grande mentira.. Tenho obrigatoriamente de amamentar, e lá vem a culpa por não o fazer. Preciso educar, preciso preciso preciso! Então largo o meu filho numa creche qualquer, trabalho “36 horas” por dia - mais culpa - e mimos exagerados como retribuição do exílio que impus.


 


Chega enfim, lá longe, um dia em que os filhos crescem e lá se vão. Afinal criamo-los para o mundo, não é mesmo? Outra mentira… ou a continuação da mesma.


 


E nós a afundarmo-nos cada vez mais.. Enxofre, enxofre. Quem é efetivamente exilado? Eu! Eu: mãe. Eu!


 


O quê? Ao me leres pensas “é louca oca vazia”? Ledo engano.


 


As emoções fervilham. E eu continuo inerte: sou mãe, afinal. Mãe mulher… mulher.. com desejos...


 


 


Enquanto meu filho cresce mal tenho tempo para satisfazer o corpo e a alma com os prazeres necessários. Quantas, quantas foram às noites em que carente olhei aquele corpo no qual se encerra a minha prisão, no aflorar da masculinidade, jovem, tenro, suave, pedindo carícias... e as minhas entranhas, lançando as garras, latejando de vontade de o possuir, de ser possuída por ele.


 


Como pude sentir tal coisa, perguntarás? Sentindo. Apenas sentindo tudo o que a privação do alimento mundano, carnal, fazia crescer em mim. A sede da boca do corpo grita mais alto que tudo, que tudo.


 


Mas novamente o meu Eu mulher foi reprimido, sempre reprimido. Afinal, sou mãe.


 


Sou acordada deste estado de vigília com o barulho estridente de sirenes. Levanto-me, e ao olhar pela janela vislumbro um corpo inerte na esquina, banhado de vermelho. Um pouco atrás um carro. Pessoas, gritos, correria, desnorte. Movida por uma curiosidade que me não é peculiar, visto um robe e desço até a rua.


 


No piso térreo, ao passar pelo porteiro, mudo de nascença, recebo um olhar que me congela o esqueleto. O meu filho… NÃO! O meu filho NÃO!


 


Corro ajoelho-me tomo-o em meus braços sacudo-o energicamente grito histericamente uma revolta mais profunda que tudo. Tantos sacrifícios, tantas privações para quê?


 


O seu sangue cobre-me a pele, encharca-me a alma. Cada momento de convivência passa perante meus olhos, como um trailer rápido. Minha pele arrepia-se, os meus olhos. Toco-o, o peito, os braços, as pernas, o sexo, a cabeça, os olhos, os olhos, a boca. Aproximo a minha boca dele, provo-lhe o sangue. Nunca nada me pareceu tão doce.


 


Momentos depois, completamente atordoada, acordo com um leve toque em meus ombros, alguém vestido de branco. Um anjo? Talvez o demônio.. enxofre.


 


Sigo-o, pois nos seus braços flutua agora o meu filho, a minha vida. Entra na ambulância.


Sigo-o.


 


Andréa Motta


31.03.04


publicado por Andrea Motta às 13:06
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2004

Primavera

menina4.JPG


Neste momento de eternidade absoluta
meu olhar inquieto se esvai no horizonte
Aventuro-me na recondução dos sonhos
que escapam de minhas mãos
pelas veredas da minha mente

Dispo-me do peso de sorrisos amarelos
coibindo o falsear de palavras
Piso sobre folhas caídas
no quintal das minhas ilusões
Solto as amarras para que possa
o amor se perder (ou encontrar)
pelas estradas do mundo

Insana fantasia de amor povoada por vagalumes
a iluminar o breu inconsciente do meu ser
É vil ir contra as forças da minha natureza
Abrigo-me do orvalho que verte dos meus olhos
na primavera inebriante que não tardará

Enquanto isso,
    a noite me faz companhia.


Andréa Motta
27/08/03

publicado por Andrea Motta às 03:37
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...





choro1.JPG


  
   23:08
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             23:25
                    23:26



23:40
                                                        23:41
                              23:48
      23:51
                                       23:53
         23:54
                                23:57
                                                               23:59

   23:08




(

grim
a)



Pedro Moura



Nota: Poeta intimista, não obstante a primeira leitura seus textos não o revelem. Pedro Moura, de forma brilhante trabalha seus anseios. Suas obras (poesia e Prosa) denotam um incansável questionamento sobre a existência (pessoal e universal), parte quase sempre da destruição dos ícones para alcançar seu o ápice na perfeição , sedento de descobertas, permite-nos uma viagem pelo imaginário. Para conhecer sua obra basta acessar o blog scriptum tremens

publicado por Andrea Motta às 03:34
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Quinta-feira, 13 de Maio de 2004

Interregno

meu-exilio1.JPG



  • imagem autor desconhecido - retrabalhada.

Se a verdade exila,
     de que negro vale,
           r
            a
              s
                g
                  o
                      o verde
ao cumprir os mandamentos
                  da mente?


O que compromete
           ou
              alternativamente
                            inverte
                o riso amedrontado
                            no dia seguinte ?


Ilações,
 meras ilações
    quadriculadas
      atravessam-me
        meio-inteira
         os intervalos epidermicos...


                A
                  o
                    r
                     t
                      e
                        c
                          t
                           a
                             s
                               i
                                a
                                    intemperante....



Andréa Motta
12/05/04

publicado por Andrea Motta às 02:36
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