Terça-feira, 20 de Dezembro de 2005

Mensagem de Natal (2005)

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 LISTA DE NATAL  ( Frei Betto)


  


     Neste Natal, não quero o Papai Noel das promoções comerciais, das ceias pantagruélicas, dos presentes caros embrulhados em afetos raros. Quero o Menino Jesus nascido no coração da manjedoura,, esperança acesa num pasto de Belém, Maria a cantar que os abastados serão despedidos de mãos vazias e os pobres saciados de bens.


     Não quero o Papai Noel das lojas enfeitadas, do celofane brilhante das cestas de produtos importados, das garrafas em que os néscios afogam tristezas rotuladas de alegrias. Quero o Menino palestino em busca de uma terra onde nascer e viver, o Menino judeu arauto da paz na Terra aos homens e mulheres de boa vontade, o Menino poupado da estupidez das guerras.


     Neste Natal dispenso abraços protocolares e sorrisos sob medida, sentimentos retóricos e emoções que encobrem a aridez do coração. Quero o amor sem dor, a oração só louvor, a fé comungada no sabor de justiça.


     Não quero presentes dos ausentes, a litúrgica reverência às mercadorias, a romaria pagã aos templos consumistas dos shopping-centers. Quero o pão na boca da criança faminta, a paz que se alarga dos espíritos atribulados aos campos de batalha, o gozo de contemplar o Invisível.


      Neste Natal, não quero essa pavorosa troca de produtos entre mãos que não se abrem em solidariedade, compaixão e carinho despudorado. Quero o Menino solto no mais íntimo de mim mesmo, semeando ternura em todos os canteiros em que as pedras sufocam as flores.


     Não quero esse ruído urbano que esmaga a alma, os ouvidos aprisionados aos telefones, o olfato condenado por odores insalubres,a boca em cascatas de palavras inúteis, despidas de verdade e sentido. Quero o silêncio indevassável de meu próprio mistério, o canto harmônico da natureza, a mão que se estende para que o outro se erga, a fraternura dos amigos abençoados pela cumplicidade perene.


     Neste Natal, não me interessam as oscilações dos índices financeiros, as promessas viciadas dos políticos, os cartões impressos a granel, cheios de colorido e vazios de originalidade. Quero as evocações mais ternas: o cheiro do café coado de manhã por minha avó, o som do sino da matriz, o rádio Philco exalando sabonete  enquanto a babá me via brincar no quintal.


     Não quero as amarguras familiares que se guardam como poeira nas dobras da alma, as invejas que me alienam de mim mesmo, as ambições que me tornam tristes como as galinhas, que têm asas e não voam. Quero os joelhos dobrados no átrio da igreja, a cabeça curvada ao Transcendente, a perplexidade de José diante da gravidez inusitada de Maria.


      Neste Natal, não irei às ruas febris dos mercadores de bens finitos, nem disfarçarei em algodão a neve que se amontoa em meus dissentimento ou prenderei falsas sinetas no frontispício de minha indiferença. Quero o segredar dos anjos, a alegria desdentada de um pobre reconhecido em seu direito, a euforia imaculada de um bebê acolhido em braços amados.


     Não viajarei para longe de mim mesmo, à procura de uma terra na qual eu próprio me sinta estrangeiro, falando um idioma cujo significado me escapa.


     Mergulharei no mais profundo de minha subjetividade, lá onde as palavras se calam e a voz de Deus se faz ouvir como apelo e desafio.


      Neste Natal, não entupirei o meu verão de castanhas e nozes, panetones e carnes gordas. Nem deixarei o que me resta de sensatez resvalar pelo gargalo de uma bebida destilada. Porei sobre a mesa Deus fatiado em pão, a entornar de vinho cálices alados, e convidarei à festa os famintos de bem-aventuranças.


     Não rezarei pela bíblia dos que professam o medo, nem acenderei velas aos guardiões do Inferno. Não serei o alpinista de cobiças desmedidas, nem o coveiro de utopias libertárias. Desfraldarei sobre o telhado a bandeira de sonhos inconfessos e semearei estrelas no jardim de meus encantos, lá onde cultivo essa doce paixão que me faz sofrer de saudades do que é terno.


      Neste Natal, farei de minhas gravatas uma imensa corda para enforcar o cinismo das convenções sociais e descerei um por um os degraus dos podres poderes, até ingressar nos subterrâneos repletos de luz dos servos da esperança. Não sonegarei sentimentos e encantos.


     Andarei nu pelas ruas para que todos vejam como o tempo enrugou delicadamente a minha pele, imprimiu flacidez a esses membros prenhes de história e cobriu-me de pêlos alvos como o frescor da velhice coerente.


     Não aceitarei os brindes de mãos que não se tocam, nem irei às ceias dos que se devoram. Não comerei do bolo que empanturra corações e mentes, nem deixarei que a aurora do Menino me surpreenda empanzinado de sono.


     Alimentado como um pássaro, sairei na noite feliz guiado pela estrela dos magos; dançarei aleluias entre as galáxias da Via Láctea e, pela manhã, em cada raio de sol injetarei poesia para que todos acordem inebriados como se fossem borboletas livres do casulo.


      Neste Natal, não direi adeus ao século que finda e ao milênio que se encerra, nos quais recebi a vida, a fé e mais perguntas que respostas.


     Pisarei cuidadoso entre mortos inocentes e alentos frustrados, e haverei de conferir no monitor eletrônico quantos foram os dissabores disseminados pela fera disfarçada de humano.


     De mãos dadas com o Menino, deixarei que as águas lavem o avesso de minha pele e, em seguida, caminharemos silentes rumo ao novo século e ao terceiro milênio. E eu estarei com os olhos fixos no Menino para que seu verbo se faça carne em meu coração de pedra, cuidando para que ele cresça despregado da cruz, exaltado pela vitória inelutável da Ressurreição.


 


  Caros Amigos,


 


 Faço das palavras de Frei Betto, os meus votos de FELIZ NATAL


 Desejando-lhe no ano que breve se inicia. Muita Paz, Amor e Saúde!


 Outras Mensagens de Natal em:


 http://geocities.yahoo.com.br/jardimdepoesia2/mensagensnatal/mensagensdenatal.htm


 Até Janeiro.


 


Andréa Motta                       


 

publicado por Andrea Motta às 15:35
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Quinta-feira, 8 de Dezembro de 2005

Urgências



borboleta.JPG


É urgente o agradecimento
à consciência alpinista
das palavras lidas
em câmera lenta


é urgente a celebração
da tarde em sua essência
gota de ousadia
na montagem acessória da lida


fazer-se fêmea
borboleta
de formas discretas
amores secretos


é urgente uma glosa
no império dos astros
disfarçar a sorte
pra mudar de rota


puro golpe
o seu olhar de monumento
D'onde vertem tempestades
e águias insones


é urgente uma resposta
mesmo que debochada
para a solidão
sindicalizada.


Andréa Motta
09/11/05

publicado por Andrea Motta às 10:42
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Domingo, 4 de Dezembro de 2005

peace

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publicado por Andrea Motta às 14:38
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Um Canto de Paz

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Das janelas do antigo Palácio Avenida, mais de 100 crianças (órfãos e carentes) entoaram melodias de Natal. Cantaram o amor, a solidariedade, a paz e a amizade. Da pureza de seus corações convocaram o povo para junto com elas sonhar e cantar.


Aos poucos a docilidade de suas vozes foram envolvendo um a um dos que as assistiam; era possível sentir uma mistura de sentimentos e ver em cada olhar o brilho da emoção de ali estar.


A cada nova canção, no meio da rua, a multidão, a princípio acanhada, depois envolvida pela magia do momento, explodia de alegria. E com toda a força de seus corações com as crianças cantou e jurou.


Sim, o povo jurou e bradou: - "Eu levanto a mão direita, pra fazer um juramento e prometo que eu vou fazer a Paz!"


Ao som deste refrão a rua se encheu de amor.


Enquanto as crianças empunhando bandeiras de Paz repetiam a canção, aos pés do Palácio iluminado, o povo se abraçou, chorou e cantou numa só voz, numa só emoção, num só sonho...


Sonho de que a Paz é possível sim! E começa no coração de cada um...


Ainda trago os olhos brilhantes de emoção e só tenho uma coisa a lhes dizer:


“Eu prometo que vou fazer a Paz"  e você?


 


Andréa Motta


Curitiba,04/12/2004


 

publicado por Andrea Motta às 14:25
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