Terça-feira, 29 de Junho de 2004

Minha Canção

barquinho.jpg



  • Imagem de autor desconhecido retirada da web

Nos olhos um intenso desalento
nas mãos gestos vagos
na alma a melodia amena de um piano
Minha canção me conduz a versos
de rimas tristes e incertas

Invadida pelas notas musicais,
como barco a deriva ao sabor do vento brando,
assobio baixinho imitando o trinar de um pássaro

Sou mera espectadora
no burburinho da platéia
Vozes anônimas de calor fugaz
consagram o cálice desafinado

O piano com arfar cadenciado
soleva os acordes em sublime simetria
entre a música e a saudade

Epopéico num só movimento
o som se expande
no vale azul da percepção
purificando-a

Sensível ao vinho proibido
sem perder a musicalidade,
como viração acariciando o rosto
resiste a fluidez das palavras.

Andréa Motta
03/09/03

publicado por Andrea Motta às 02:31
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Domingo, 27 de Junho de 2004

Rabularia

observadora.jpg


Cantei encantos e desilusões,
como indestrutíveis verdades,
    (ainda que só minhas fossem)
cada peça formava uma identidade maior.


Chorei sentimentos mutantes,
na dispnéia dei  à luz a apetites loucos
expostos em tecido rubro-branco-azul.


Li e reli a textura do corpo,
todos os parágrafos e pontos da lingua
trêmula nua em frenética aventura
pela epiderme dos lábios.


Sonhei um horizonte tatuado
nas pétalas que te revelam
pintura dum mar ausente
alimento distante e presente
nas curvas da minha alma


Fui represa de sonhos passivos,
hoje despertei enluarada.
Sem trégüa, tenho o vento
zunindo ao meu ouvido.


Exigindo que minha voz dedilhe
e transforme numa fração de segundos,
argumentos adormecidos e inexperientes traços
em rebeldes paisagens de ficção e realidade.


Silente acrobata lanço essências
versejo com imprecisas rimas
Sorrio...
    o choro incontido
       o sentido implícito do desejo
          a variante volatil da verdade


                       Finjo que provo e concluo
                                 rabulices e nada mais....


Andréa Motta
27/06/04

publicado por Andrea Motta às 20:45
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Sábado, 26 de Junho de 2004

Canção de Exílio

                            (para ledusha)
leblon.jpg



  • Praia do Leblon - Rio de Janeiro- Brasil (imagem retirada da web)

vontade
de você
no posto nove
papo pro ar
lendo o sol
e jornal
do brasil


vontade de chupar
chica-bom com
beijo
papo-de-anjo
ao som
do gilberto gil


um trotoir
pela ciclovia
da poesia
(lido corazon!)
enquanto a tarde
na clandestinidade
nocauteia
o dia


vontade
do sotaque
carioquês
frango xadrez-
chinês
na praça da paz
(andar pela praia
até o leblom)



vontade
de te tocar mais
e mar...


e outra vez.



o carnaval passou
e a vida só cantou
o samba que a saudade fez


Marcos Caiado




que visitem CinzAzul, onde é possível ler mais poesias do fantástico poeta Marcos Caiado. 

publicado por Andrea Motta às 03:11
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2004

Rumo

bosque.jpg


No silêncio quebrado pelo sussurro
do vento e cintilar das flores
encontro um rumo traçado entre
devaneios fugas e reencontros.


Ficaram palavras mudas,
                             despidas de receios
no amanhecer feito na esperança
dos meus olhos molhados.


Erguendo-me em asas de amor.

Andréa Motta
09/08/2003

publicado por Andrea Motta às 00:35
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2004

Deus está comigo?

mao-deus.jpg



  • Imagem retirada da Web

Em silêncio, na escuridão desta gruta
encravada em meus rochedos,
interiorizo sentimentos
                            vou tateando
em meu cinza desencantado
            - pesadelos -

Tenho medo.
          - quem não os tem ? -

Uma réstia lunar
espreme-se entre escarpas
a escalada às estrelas é íngreme
vejo-as, contudo, colorindo o cosmo
de minha noite.

Meu eu mais íntimo
repete incessantemente,
em tom lamentoso

confiar
   confiar
     confiar
          Em quem...?

Águas límpidas sussurrantes
deslizam por minhas veias
                               como runas
                                      e respondem

Só no sorriso de uma criança
                      e no ancião jardineiro
de meus jardins mais secretos.

Andréa Motta
16/08/03
(23:30hs)

publicado por Andrea Motta às 00:00
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2004

Travessia

campo.gif


Não quero escrever o que me fere a alma,
são dores
prantos...
são tantos sonhos desfeitos.

Quero descrever lindos pastos verdejantes,
boninas que enfeitiçam um novo amanhecer.
Não quero deixar fluir as dores que senti
as traições que enfrentei...

Prefiro caminhar sentindo uma brisa suave
a esvoaçar meus sentidos...
a circular meu corpo.

Quero gritar minhas verdades,
aquelas que teimo em esconder.
não quero falsas amizades
nem sorrisos amarelos.

Quero ser desvendada...
desafiar odin e netuno
e, de peito aberto passo a passo
nesta travessia sorver do mais puro mel.

Não quero mais sentir o coração apertado,
as mãos geladas e os olhos mareados.
Por isso não quero rotos retratos
nem meias verdades escondidas em mistérios.

Quero sentir a magia
de viver uma paixão...

Andréa Motta
(02/06/03)

publicado por Andrea Motta às 00:32
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Terça-feira, 22 de Junho de 2004

Dédalos

floresta1.JPG


Labirintos escondidos em florestas encantadas,
tortuosos corredores paralelos e transversais.
Enredo de caminhos encruzilhados.
Ora absinto,
armadilhas, desatinos.
Ora feitiço,
querubins e pirilampos.

Vida...
Dédalo inexorável de veredas desvendadas
em um abrir fechar de olhos,
na fronteira da intuição.


Andréa Motta
16/07/03

publicado por Andrea Motta às 00:01
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Domingo, 20 de Junho de 2004

Labaredas

Amor-005.jpg


Há em mim um desejo latente,
envolto em mistério...
Há um tempo de eternidade
constante...

Há em mim uma procura incessante
um revolver de sentimentos.
uma calma aparente..
refúgio de meus sonhos.

Há um olhar perdido
em devaneios...
Há em mim um coração pulsando
a cada toque da sua emoção

Há em mim o brilho de amar

Andréa Motta

publicado por Andrea Motta às 01:15
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Sábado, 19 de Junho de 2004

Replay

image002(2).jpg



  • Pintura - Lanche dos barqueiros - Auguste Renoir

Hoje é sexta-feira,
                     e daí?
Se o marasmo é o mesmo
Se hoje como ontem
      a corrupção é a mesma
      a fartura continua na mesa de poucos
      e a fome persiste  rondando tantos.


Hoje é sexta-feira,
                    e daí?
Se os jornais estampam
        as mesmas manchetes
                só mudam as datas
                   e o dono do sangue que escorre...


Hoje é sexta-feira,
                     e daí?
  Se a história se repete
                      trocam os atores
                         ficam os instrumentos...


Hoje é sexta-feira,
                     e daí?
           as ruas, as boates
                             e os bares ficam lotados
            todos curtem a vadia
                  ninguém se importa com a ressaca,
                                      sequer percebem
                                           que caem na mesma rotina...


Afinal,
     amanhã é sábado
                  depois domingo...


E aí tem futebol,
              narcótico opressivo...
       tem homens-bombas
              suicídas desesperados...
       também tem batalhas injustificadas
                juros desenfreados
                         alta do combustível
                                inflação descontrolada...


Mas, hoje é sexta-feira,
                            e daí?


Andréa Motta
18/06/04

publicado por Andrea Motta às 01:18
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Sexta-feira, 18 de Junho de 2004

Apenas

papiro1.gif



  • imagem retirada da Web

Um texto
        sem arte
    rabiscado a sal


Onde o inverso
          é o reflexo
      circunspecto do verso


Apenas um texto
           úmido e vazio
                          de significados


expressa neste exato momento
a sina  recusada
           a birra que desatina
                       a claustrofobia
                                      embolorada


O conflitos interiores
                  e os sonhos
                          lancetados
                                      sem anestesia!


Apenas um
             texto
                sem memórias
                          sobrevive
                                   desta confusão mental.


Andréa Motta
17.06.04

publicado por Andrea Motta às 00:21
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