Quinta-feira, 9 de Março de 2006

Do Estigma à SobrevivênciaAndréa Motta



Mulher_Iza.JPG



Na penumbra da cidade
brilho de lantejoulas
seios desnudos
lábios pintados de carmim
no corpo lanhado
tatuadas as marcas do desamor


Escoriações
hematomas
carne rasgada
alma amargurada


Nos desvios do tempo
Delitos, impunidade e dor,
violência doméstica
violência urbana


Nas esquinas um olhar
de menina amedrontada
não há lágrimas nem sorrisos.
 Só um silencioso pedido de socorro
                  entre sonhos adormecidos.


No jogo da sobrevivência,
Sombras escamoteiam o medo.
No desenho da calçada
Rostos anônimos
gigolôs, prostitutas
sofismam pelos cruzamentos
escandalizando crentes


Loucas sombras funambulescas
na solitude noturna
conspiram versos desencantados
num pacto com o diabo


Mas o tempo, tal qual um sopro,
leva sem remorsos
o silêncio da noite, as escoriações
os hematomas, as mãos vazias
a dança do neon..


Na cauda do vento, a fantasia
por um instante,
insinua-se nos olhares castigados
   suavizando-os.


Não importa
onde pouse o olhar
não importa
a identidade
nem o coração partido
Não importa
a desventura
nem as portas fechadas.


A alvorada traz a denúncia,
                   Incitando à liberdade!
quando cada um segue o seu destino.
07/03/06



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publicado por Andrea Motta às 11:13
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4 comentários:
De Andra Motta a 22 de Março de 2006 às 10:45
Para peres, espero que a partir de agora, achaes sempre os endereços :) Beijos,
De peres feio a 19 de Março de 2006 às 03:17
foi dificil reenconrar-te!
bj carlos p f
De Andra a 10 de Março de 2006 às 10:28
Para Lisieux: Bom dia lis, obrigada pelo comentário. Este texto nasceu da união de dois antigos que tratavam do mesmo tema e, eram muito parecidos, daí você achar conhecido.Beijinhos.
De lisieux a 10 de Março de 2006 às 08:19
Putz! Muito lindo! Parece-me conhecido, mas não sei se já li... de qualquer forma, é ótimo ver-te postar novamente... ainda mais sendo um poema tão bonito.
Bjokas, marida
lis

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